Eriquinha: repórter,
fotógrafa, curiosa e turista.
Seis amigas do último
ano de jornalismo resolveram se unir para
fazer o trabalho de conclusão de curso.
O entusiasmo contagiou o grupo quando uma
delas lançou a idéia de morarem
juntas durante um mês no Centro de São
Paulo, o objeto de nosso projeto. A escolha
do lugar foi unânime: todas sonhavam
em morar no edifício Copan, aquele
construído em forma de “esse”
e projetado por Oscar Niemeyer.
Em menos de dois meses lá
estavam as seis dividindo um espaço
onde mal cabiam os cinco colchões e
um saco de dormir. Nosso QG se resumiu numa
sala, que serviu de quarto, sala de visitas,
reuniões, sala de estudo, bate papo,
salão de festas e otras cositas más.
As condições reais no Copan
não estavam no script inicial. Em um
prédio de mais de 30 andares, fomos
parar logo no primeiro. A vista tão
esperada nada mais era que o telhado de uma
construção, a 50 centímetros
de nossa janela. Como se não bastasse,
o telhado era habitado por seres curiosos,
como gatos das mais variadas pelagens e pombos.
Mas justamente pela falta que
sentimos do conforto de nossas casas é
que tivemos que aprender a driblar e rir de
todas as dificuldades que encontramos ali.
Com a falta de televisão e chuveiro
(o chuveiro veio na segunda semana), por exemplo,
acabamos nos aproximando mais, o que rendeu
altas conversas até horas da madrugada.
Compartilhamos momentos muito
ricos e especiais nessa aventura pelo Centro
de São Paulo. Fomos repórteres,
fotógrafas, curiosas, turistas nessa
região tão fascinante da capital.
A imagem hostil que talvez tivéssemos
dali, ficou no passado. Hoje, desta passagem
memorável de nossas vidas, só
sentimos saudades: do 108-B, os cafés
da manhã no TYB, as festinhas e o mais
inesperado, as pessoas que vivem lá.
Aliás, o aperto que
vivemos dentro de uma quitenete teve algo
de semelhante com o que o Centro representou
para mim, um lugar acolhedor que consegue
abrigar muitas pessoa por metro quadrado.