“Saindo aqui do Copan,
é a sua segunda à direita e
aí é só seguir tudo reto”,
me explicam à porta do edifício
de Niemeyer. Sigo meu caminho ruma a tal rua.
Cruzo a Sete de Abril, passo a República...
“A próxima à direita”,
o moço havia me dito.
Ah, perdão, incauto leitor. Nem disse
aonde estou indo. Meu destino é o Viaduto
do Chá, colado ao Teatro Municipal.
Não teria como errar, se eu soubesse
onde ficava. Como nunca tinha ido lá,
resolvi perguntar. Foi como começou
esta história.
Bom, então como eu ia dizendo, dobrei
à direita e caí (no bom sentido)
na rua Barão de Itapetininga. Meca
do comércio ambulante e da economia
informal. Carro não passa, só
os da ronda policial. Mal se entra nela, logo
na esquina, quatro ou cinco carrinhos disputam
o estômago –e o suado dinheirinho
do mês— dos transeuntes.
Se não enche a barriga,
enche os olhos. Pois é, não
foi desta vez que eu tomei coragem para comer
algo da rua, embora me considere bem corajosa
em relação a isso. Foi na volta,
quando tomei uma refrescante água de
coco. A diversidade enche a vista. É
de uma variedade de aromas, cores e sons,
que não há meio de não
ser desperto com o mexe-mexe da rua...
Andando se ouve: “Every
breath you take, every move you make... Bom
xibom-bom-bom-bom-bom-bom bom xibom-bom-bom-bom-bom-bom...
Fui no pagode na casa do gago, e o rango demorou
a sair.... “, e dez metros adiante:
“Vou te pegar numa real, vou dizer que
sou o tal, bater um papo no café, um
papo de jacaré... Na casa de Deus eu
encontrei meu eu.... Eu não quero dinheiro,
eu só quero amar, só quero amar....”
“E olha o coco! Olha
o cachorro-quente! Olha a bolsa! (olhe a sua
também). Quem vai querer cocada e acarajé!?
Compro ouro! Compro passe! E óia a
moça passando!”
Mais buxixo de conversa, música
andina ou latina e o relógio-despertador.
Não tem como não parar para
olhar alguma coisa, ou falar com a Dona Júlia
dos badulaques para o cabelo ou como a baiana
do acarajé, ou com o Seu Chafic do
cartaz do ouro.
“Óia o menino!
Óia a frente! Tem gente querendo passar!”
E a vida tentando continuar a andar... E o
mundo a te levar....